Descubra as melhores coisas para fazer em Cusco. Guia completo com imperdíveis, atrações populares, segredos locais, museus, mercados e parques.
Cusco é uma cidade feita de camadas. Paredes incas sustentam igrejas coloniais. Praças espanholas ocupam o lugar onde aconteciam as cerimônias incas. A 3.400 metros de altitude nos Andes peruanos, era a capital do Império Inca antes da conquista espanhola em 1530. O centro histórico é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1983. Hoje é a porta de entrada para Machu Picchu e o Vale Sagrado, mas a cidade tem conteúdo para vários dias antes de você pegar o trem.
A altitude pega pesado na chegada. Muita gente sente: dor de cabeça, falta de ar e cansaço. Tire pelo menos um dia inteiro para aclimatar antes de fazer esforço físico. Beba chá de coca, ande devagar e deixe a subida para Sacsayhuaman para o segundo ou terceiro dia. Cusco recompensa quem vai sem pressa. O bairro de San Blas, o templo de Qorikancha, a Catedral, as barracas do mercado e as ruas estreitas com muros de pedra inca não são coisas para ver correndo.
Esta é uma cidade para quem quer entender uma civilização, não apenas tirar fotos. Os incas construíram coisas aqui que engenheiros modernos ainda não explicam totalmente. Os espanhóis montaram o mundo deles por cima. E as comunidades que falam quéchua nos vales vizinhos mantêm tradições que vieram antes de ambos. Se você vem pela arqueologia, pelas trilhas, pela comida ou pela história, Cusco entrega algo mais real do que a maioria dos destinos turísticos.
Estes monumentos icónicos são paragens obrigatórias para qualquer visitante em Cusco.
Toda visita a Cusco começa e termina aqui. A Plaza de Armas é o centro da cidade desde antes da chegada dos espanhóis em 1534. Na época do Império Inca, era Huacaypata, o coração cerimonial da capital onde celebravam vitórias militares e rituais religiosos. Os incas drenaram um pântano e construíram o centro administrativo ali. Depois, os espanhóis derrubaram os palácios e ergueram igrejas católicas e mansões coloniais em cima. Essa sobreposição — bases incas sob arquitetura colonial e turismo moderno — define o que Cusco é hoje. Você sente isso claramente nesta praça. O acesso é livre e fica aberto 24 horas. Dois dos prédios mais importantes ficam de frente para ela: a Catedral de Cusco a nordeste e a Igreja de la Compañía de Jesús no canto sudeste. Os arcos têm vários restaurantes (caros, mas alguns têm mesas na varanda que valem o preço) e agências de viagem. É o ponto de partida óbvio para explorar o centro histórico a pé. À noite, a catedral e os prédios ao redor ficam iluminados e a praça ganha outra energia. Vendedores de rua oferecem bebidas quentes e os moradores se reúnem nos bancos. Também é palco de manifestações políticas, então não estranhe se encontrar multidões com megafones.
O Sacred Valley dos incas segue ao noroeste de Cusco pelo rio Urubamba. São mais de 350 sítios arqueológicos espalhados por colinas com terraços, vilas coloniais e terras agrícolas ainda cultivadas com métodos antigos. Os incas valorizavam o vale pelo clima ameno e solo fértil, plantando seu milho gigante em altitudes entre 2.600 e 3.050 metros. O vale foi declarado Patrimônio Cultural em 2006. A maioria dos visitantes faz um bate-volta de Cusco, parando em Pisac, Ollantaytambo e Chinchero. Os principais sítios estão incluídos no Boleto Turístico (130 PEN), o mesmo ingresso de Sacsayhuaman. Os locais costumam abrir às 07:00 e fechar por volta das 18:00. A viagem de Cusco até Pisac leva cerca de uma hora, e de lá até Ollantaytambo é mais uma hora. Você pode contratar um motorista particular para o dia ou ir em uma excursão. É um dos passeios principais e ocupa o dia todo. O que atrai aqui é a variedade. Em um dia, você sai dos terraços de Pisac para a fortaleza de Ollantaytambo e termina no mercado de tecidos de Chinchero. Se tiver dois dias, inclua os terraços de Moray e as salinas de Maras, que ficam fora da rota principal mas valem o desvio. O vale também fica em uma altitude menor que Cusco, sendo uma boa parada inicial se você ainda estiver se acostumando com o ar rarefeito.
Dois quilômetros subindo a partir da Plaza de Armas, Sacsayhuaman é a fortaleza inca que faz você questionar tudo o que sabia sobre construções antigas. Os muros são feitos de blocos de calcário, alguns pesando mais de 100 toneladas, encaixados sem argamassa com tanta precisão que não passa uma folha de papel entre eles. A construção começou sob o comando de Pachacutec no século 15 e terminou com Huayna Capac no início do século 16. Quando os homens de Pizarro viram o lugar pela primeira vez, não acreditaram no que estavam vendo. O acesso está no Boleto Turístico (130 PEN). Abre diariamente das 07:00 às 17:30. Dá para subir a pé do centro em uns 30 minutos, mas a subida é íngreme e você já está a 3.400 metros de altitude. Vá devagar. Um táxi custa cerca de 10 PEN. É o lugar que mostra o nível real da engenharia inca. Do topo das muralhas, você tem uma vista panorâmica da cidade espalhada lá embaixo. É aqui que acontece o festival Inti Raymi todo dia 24 de junho, uma encenação enorme da cerimônia inca do sol. Em dias comuns, o lugar é bem tranquilo assim que você passa da entrada principal.
Locais conhecidos e atrações que vale a pena visitar em Cusco.
Cerca de 430 metros morro acima da Plaza de Armas, o bairro de San Blas é o reduto dos artesãos de Cusco, e esta pequena igreja de adobe é o ponto central. Construída no meio do século 16 sobre bases incas, a San Blas Church guarda uma das peças de entalhe em madeira mais famosas da América do Sul: um púlpito feito de um único tronco de cedro, tão detalhado que ninguém sabe ao certo como foi fabricado. O trabalho é atribuído a artesãos indígenas e prova que o talento artístico em Cusco não chegou com os espanhóis. A igreja é simples comparada à catedral da praça. Isso faz parte do seu charme. A entrada é gratuita e funciona de segunda a sábado, das 08:30 às 18:00 (fecha aos domingos). A Plazoleta de San Blas, do lado de fora, é uma das praças mais agradáveis da cidade, cercada por oficinas de artesãos, galerias pequenas e cafés com vista para as ruas inclinadas. Chegar aqui exige subir ladeiras de paralelepípedo que cansam rápido a 3.400 metros. Vá com calma. A caminhada da Plaza de Armas leva cerca de 10 minutos e passa por muros incas preservados, incluindo a famosa pedra de 12 ângulos na Calle Hatunrumiyoc. É o tipo de lugar que recompensa quem sai da praça principal.
Museus e galerias de classe mundial que fazem de Cusco um tesouro cultural.
Localizado na Casa Cabrera, uma mansão colonial a um quarteirão da Plaza de Armas, este museu (conhecido como MAP Cusco) é o melhor lugar para entender as tradições artísticas que existiam no Peru muito antes dos incas. A coleção pertence ao Museu Larco, em Lima, e as 450 peças expostas mostram 3.000 anos de evolução. Dez salas cobrem desde o período Formativo até as culturas Nazca, Mochica, Huari, Chimu e Inca, com joias de ouro, cerâmicas, tecidos e madeira entalhada. A entrada custa 20 PEN e o museu abre diariamente das 09:00 às 22:00, o que faz dele uma das poucas opções culturais em Cusco que funcionam após o jantar. O prédio em si merece a visita: o pátio colonial com arcos de pedra é um contraste bom com a arte pré-colombiana lá dentro. Reserve cerca de uma hora para ver tudo. Entre os museus da cidade, este chama a atenção por colocar a civilização inca em contexto. Muitos chegam achando que os incas foram o início e o fim da história peruana, mas as cerâmicas Mochica e o ouro Nazca aqui são mais antigos e, em alguns casos, tecnicamente mais avançados. Isso muda a sua visão da viagem toda.