1. Casa Batlló
Parar em frente ao número 43 do Passeig de Gràcia parece menos com observar arquitetura e mais com uma alucinação. A fachada brilha com azulejos quebrados em tons de azul-marinho e verde-nenúfar, e as varandas lembram perturbadoramente máscaras de esqueletos. Gaudí projetou isso como uma alegoria de São Jorge matando o dragão — olhe bem para a linha do telhado para ver as escamas iridescentes e a torre que faz o papel da lança. A entrada custa caro, sem dúvida, mas o nível de detalhe no andar principal, do canto da lareira em forma de cogumelo aos tetos em redemoinho, é difícil de encontrar em outro lugar.
Lá dentro, as linhas retas não existem. As portas se encaixam em molduras orgânicas, e o poço de luz central é revestido com um gradiente de azuis que escurecem à medida que você olha para cima, manipulando a luz natural com inteligência para que os andares inferiores não fiquem escuros. Várias atrações de Barcelona disputam os seus euros, mas a pura habilidade artesanal aqui justifica o valor do ingresso. O guia de áudio é excelente, usando realidade aumentada para mostrar como os cômodos vazios eram mobiliados na época, o que ajuda a contextualizar as formas bizarras.
Por estar localizada no "Quarteirão da Discórdia", você consegue compará-la facilmente com suas vizinhas, a pontiaguda Casa Amatller e a floral Casa Lleó Morera. Mas a Batlló é a que para o trânsito. Prepare-se para espaços apertados nas escadas; Gaudí priorizou a estética e a luz em vez de corredores largos, e com o volume atual de visitantes, o ambiente fica bem colado. O terraço, embora menor que o da La Pedrera, oferece uma visão de perto daquela famosa cumeeira em forma de costas de dragão que ninguém vê da rua.