1. Almendres Cromlech
Estar nesta encosta ao amanhecer parece menos uma visita turística e mais uma intromissão numa conversa privada que dura há 7.000 anos. A disposição destes 95 monólitos de granito arredondados não é aleatória; seguem o sol e as estrelas com uma precisão que faz o mundo moderno parecer desajeitado em comparação. É significativamente mais antigo que Stonehenge e, ao contrário do seu homólogo britânico, aqui pode caminhar até às pedras, tocar nas superfícies ásperas e manchadas de líquen onde as comunidades neolíticas se reuniam para marcar a mudança das estações.
O caminho até aqui atravessa montados de sobro que parecem quase iguais ao que eram há séculos, criando uma sensação de isolamento antes mesmo de chegar. Não há barreiras de bilhetes ou lojas de recordações, apenas o silêncio das planícies alentejanas e as pedras a projetar longas sombras na erva seca. Se procura atrações em Évora que o desliguem completamente do circuito dos autocarros turísticos, este local pré-histórico vale cada minuto da viagem acidentada necessária para o alcançar.
A maioria dos visitantes chega a meio do dia, quando o sol achata a paisagem e o calor pode ser brutal. Para ver o cromeleque devidamente, precisa da luz baixa e rasante do início da manhã ou do final da tarde, que realça as gravações ténues em alguns dos menires, invisíveis ao meio-dia. É uma experiência crua e não curada que parece espiritual, mesmo para os céticos confirmados.